​A Continência

  • 03/12/2018
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​A Continência

E vejam só, nesse dia 29, aparece pelas terras brasileiras, fazendo escala na viagem com destino à reunião do G20 em Buenos Aires, John Bolton, o conselheiro para segurança nacional de Donald Trump. E agenda uma conversa com o presidente eleito. Alguns, por aqui já abanando rabos, pois veem nesse encontro uma leitura que resultaria em prestígio internacional. Ora, claramente que não. Pois que por aqui transita alguém do segundo escalão. E mais, a vinda ao Brasil é uma questão de aproveitar a viagem a Buenos Aires (Reunião do G-20) para fazer uma escala no Rio e conversar com o capitão. Mas, cabe salientar que essa figura – Bolton – não tem prestígio algum na comunidade diplomática internacional

É defensor, inclusive pela saída dos EUA do Tribunal Penal Internacional (quer dizer: fazer o que bem entender). E o infeliz diz que se trata de um momento lúdico na sua trajetória ter atuado fortemente para que tal fato se consolidasse! E mais ainda, sempre fez uso de meios considerados brutais para alcance de objetivos. No ano de 2002, por exemplo, Bolton, sempre obcecado por Cuba, tentou emplacar a tese de que aquele país estava exportando armas biológicas para regimes terroristas. Uma falácia que veio a ser desmentida pelo Departamento de Estado. Furioso, Bolton tentou articular a queda do diretor do Departamento. E claro, fosse levada adiante, poder-se-ia imaginar as (in) consequências de tamanho descalabro.

E suas práticas vão mais longe. No senado americano, esse tal Bolton mentiu sob juramento dizendo que não havia tentado destituir o analista–chefe do Departamento que atua na área de armas biológicas. Porém, sete profissionais da área o desmentiram.

No entanto, Bolton não foi bem-sucedido no seu intento em relação à Cuba e as supostas “armas biológicas”. Porém, logrou êxito com o Iraque e as armas químicas.

E aqui aparece a face(?) desse sujeito. Coube a ele atuar para a destituição do grande embaixador brasileiro José Maurício Bustani da direção da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).

Bustani, um diplomata brilhante, havia sido eleito o primeiro Diretor-Geral da OPAQ, em 13 de maio de 1997, e reeleito para um segundo mandato de quatro anos, em maio de 2001. Pois que esse organismo viera a ser merecedor do Prêmio Nobel da Paz. Claro que o nome seria de Bustani. Mas Bolton lutou muito para que não fosse assim. Até mesmo o Senhor da Guerra, Colin Powell elogiou publicamente seu. Por fim, 48 votos a favor de sua demissão, sete contrários e 43 abstenções, Bustani foi acabou enfim, afastado. Curiosamente houve uma imensa abstenção dos países latino-americanos, que seguiram o Brasil nessa votação

E então a pergunta: Qual a razão de o Brasil não agir em defesa do seu embaixador, como deveria e poderia. Não se moveu e se o fizesse poderia ter preservado e conservado Bustani na função. E um fato curioso surge. Sob pressão dos EUA, o governo FHC fez questão de alardear aos seus pares na ONU que a OPAQ não era “uma prioridade para o Brasil”. FHC já jogava em favor dos americanos preterindo os seus. E o que está se vendo é muito pior. Bustani reclamava de manobras consideradas sujas e lideradas por Bolton visando manchar sua imagem e buscando, claro, a sua destituição. Na diplomacia brasileira é considerado um fato vergonhoso na história. Mas Bolton é não apenas agressor do Brasil por ter liderado a demissão ilegal de Bustani. Por tais razões pode se ver que o sujeito é inimigo do Brasil que se quer soberano, prova disso é o desejo de submeter o país aos mandos e desmandos de Trump. Coisa que Bolton sabe bem executar e ao que vemos, o Brasil já aceita de forma servil. Tudo indica que Bolton deve ter vindo trazer um recado sobre como se iniciar o ano de 2019. Em relação ao gesto proferido: continência. Basta verificar qual o seu significado, quando e como deve se fazer uso.  

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