O VELHO E O ASILO...

  • 29/05/2019
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O VELHO E O ASILO...

Esse fim de semana eu fui visitar meu avô no lar de idosos (antes que o estigma de que os idosos são abandonados e esquecidos comece a dar mimimi sou claro em minhas palavras de que meu avô mesmo pediu para ir ficar lá, escolheu o lar e ainda faz propaganda, um bom "marqueteiro" nos auge de seus 84 anos).
E ele revelou-me o porquê da decisão de morar em um lar de idosos.
Disse que sozinho não poderia mais se organizar como antes, mesmo que sendo ágil em sua idade anciã, e morando com minha mãe ou com qualquer um de nós netos ele se irritava com o barulho, dizia que os cachorros fediam e ele já se bastava com seu cheiro de velho rançoso e isto falou-me rindo em gargalhadas com sua dentadura nova.
Também revelou-me sobre a comida, que ele não gostava de comer as "coisas saudáveis” que insistíamos em dar a ele (Mas afinal se ele chegou até aqui agora tinha que manter sua saúde).
Disse-me que queria seu espaço, para poder lembrar-se de suas lembranças sem crianças correndo ao redor, para que ele pudesse ter seus pensamentos sem barulho de telefones (Ele chama assim o barulho das notificações de smartphones) e as mulheres tagarelando.
E mesmo tendo de morar no lar, a hora que ele quisesse ele poderia ir para um canto e ter sua própria "privacidade".
Depois d’ele contar-me tudo, como quem quisesse se justificar por algo, balançando a cabeça levantou-se pegou sua manta e sentou-se novamente, eu estava esperando o enredo da sua história, quando ele simplesmente se ajeitou no sofá e eu indaguei: Mas conte mais avô!?
E então ele falou o quê nunca imaginei daquela personalidade... Disse-me que hoje em dia, ele quer alguém ao seu lado nem que seja na hora do cochilo, que fique acordado falando sem parar como minha mãe, ou as crianças correndo em volta enquanto ele pensa na vida, até aqueles cachorros fedidos em volta pedindo o pão do café da manhã.
Eu me surpreendi com o que ele estava falando, na verdade me surpreendi com o que ele estava sentindo.
Eu apenas peguei em sua mão, sorri e disse o senhor quer algo avô?!
Ele respirou fundo, me olhou nos olhos com aqueles olhos de amêndoas, pegou em minha mão e disse-me:
Que se “f0d@”, eu vou falar mesmo sem firulas: Eu não aguento mais ficar aqui nesta chatice, penso eu que só falta eles cantarem o hino nacional!
Eu sorri novamente e disse: O senhor pode pegar suas coisas, vamos pra casa.
A sua pergunta ao sair do lar foi:
E a aqueles cachorros ainda estão lá?!

E isso aí galera não percam Uzina da Força nas madrugadas de sábado 00:30 às 03:00 e até breve muito breve!

1 Comentários


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sofia oetker

29/05/2019

espero chegar aos 84 anos kkkkkkkkk
chegando lá acho que vou ser daquelas velhas cheia de gatos em casa kkkkkkkkkkk

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José Roberto Rodrigues

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